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domingo, 5 de agosto de 2012

London 2012

"Citius, Altius, Fortius" ("mais rápido, mais alto, mais forte").

Cada um dos mais de 10 mil atletas que participam das Olimpíadas de Verão de 2012 pensam neste lema. 

Ainda criança, o futuro atleta se espelha naquele antecessor que representa seu ideal. Lembro que praticava natação e ver Ricardo Prado conquistar uma prata foi emocionante para mim. Isso, muito antes de Gustavo Borges, Fernando "Xuxa" e Cielo.

O esportista evoluiu no seu ganho de resistência, distância e físico, de modo surpreendentes, se compararmos, por exemplo, os nadadores de 1984 e os que estão na ativa. Ricardo Prado conquistou uma prata nos 400m medley com tempo de 4:18:45. Na prova deste ano, Thiago Pereira, também prata, chegou em 4:08:86. Uma diminuição de 10 segundos em 28 anos.

Treinos superam o talento. Dedicação, dor, privações. A melhora da performance vai além da repetição extrema de táticas. Requer estudo dos adversários, capacidade de recuperação e psicologia.

Tudo por 1 segundo, 1 centímetro, 1 ponto. E ser o melhor das regionais, do país e (sonho máximo!), ter um lugar no pódio das Olimpíadas!

A Nutrição representa um dos patamares para atingir esse objetivo: proteínas para o ganho de massa magra, carboidratos para reposição de glicogênio e energia, hidratação, vitaminas e minerais.

E ainda vai além. Quando pode ser o principal fator modificador no desempenho, percebido pelo próprio atleta, como no caso de Novak Djokovic, que descobriu ser portador de doença celíaca e credita a melhora dos seus resultados às modificações alimentares promovidas pelo seu nutricionista, Igor Cetojevic.  

Portanto, é triste ver que a maior rede de "fast food" do mundo é o restaurante principal da Vila Olímpica, fornecendo refeições grátis aos atletas. O contrato define exclusividade de vendas de alimentos e bebidas não alcoólicas. Essa "união" se estende por 35 anos, e ainda segue pelo menos até 2020...

Obviamente, muitas delegações levam na sua equipe técnicas o profissional nutricionista e os atletas seguem realizando sua alimentação adequada a sua rotina de treinos e competição. Mas... será que o indivíduo que dedicou tanto empenho para conseguir estar entre os principais concorrentes se deixa seduzir e arriscar sua condição física, por batatas fritas e hambúrgueres? 

Já é conhecido o poder "viciante" de uma alimentação rica em gorduras e açúcares simples, como um processo de prazer e recompensa, como visto no documentário "Super Size Me", de Morgan Spurlock. 

Sabe-se que, a partir de hoje, inicia-se um novo "ciclo olímpico", em que os atletas começam a se preparar para Rio 2016. E a Nutrição continua seus estudos no auxílio dessa preparação.

Por 1 segundo, 1 centímetro, 1 ponto.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Alergia e Intolerância Alimentar

Ao ler a reportagem "Alergia a Alimento é Mais Raro do Que Parece", publicado na Folha de S.P. Online de hoje, achei interessante comentar sobre esse tema. Afinal, como a própria reportagem indica, muitas pessoas acreditam ter alergia, mas poucos são os casos comprovados, através de testes clínicos.

Acontece que muitos casos são, na verdade, de intolerância ou intoxicação, e acabam confundidos pelos pacientes com a alergia alimentar.

Alergia é uma reação imunológica, causada por proteína presente no alimento, sendo mais comum de ocorrência com crustáceos, suíno, ovo, amendoim, soja, frutas cítricas, leite e farinha de trigo (pacientes celíacos). Obviamente, existem casos decorrentes de outros alimentos, pois cada organismo pode, em qualquer idade, desencadear o processo alérgico. Ainda que o mecanismo seja desconhecido, é possível que a alergia a determinado alimento passe a ter ocorrência somente em uma época da vida.

As reações do processo alérgico são mais agudas, ou seja, quase imediatas: vermelhidão na pele e inchaço (mais preocupante, pois pode causar fechamento de glote e consequente falta de ar).

As alergias também podem ser tardias, que são de mais difícil diagnóstico, pois a pessoa passou a maior parte de sua vida consumindo o alimento. O corpo se acostumou e os sintomas não são tão claros, como na reação aguda. Portanto, somente com exames mais específicos e o acompanhamento de um profissional médico ou nutricionista para a detecção. A conduta é a suspensão do consumo do alimento e de produtos em que esteja presente, com substituição por outros alimentos com características nutricionais semelhantes. Muitas vezes, o paciente pode retornar a consumir o alimento alérgico, após um período de suspensão e de forma não frequente.

Outros casos, a alergia não é do alimento em si, mas dos compostos químicos da agricultura, utilizado na maioria das culturas, principalmente tomate, batata e morango.

Já a intolerância é de ocorrência mais comum. O paciente não se sente bem com o consumo de determinado alimento, mas com sintomas relacionados ao sistema digestório (desconforto gástrico ou intestinal).

Os casos mais comuns são ao consumo de leite (mas não com os derivados), devido a ausência ou baixa produção de lactase, uma enzima responsável pela digestão da lactose, um açúcar específico do leite. Como os iogurtes e queijos passam por um processo de fermentação, que é similar, esses produtos não causam as mesmas reações que o leite.

Mais uma vez, a intolerância a determinado alimento, e seus sintomas, são variáveis em cada paciente e deve ser investigado desde o histórico clínico / nutricional, em consulta.