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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Carboidratos - O Novo Vilão da Alimentação?


De tempos em tempos, é observado na área de Nutrição um certo "fenômeno": a demonização de determinado alimento ou nutriente.

Assim já foi com o ovo, devido ao seu conteúdo de colesterol (semelhante ao de outras carnes, mas ainda hoje escuto médico proibindo seu consumo para portadores de dislipidemias). Depois, a manteiga, que permitiu a criação de um substituto que (teoricamente) não causaria os mesmos danos.

Como são assuntos mais complexos, vou deixar para outros posts.

Neste, vou comentar um pouco sobre a "onda" mais recente, da restrição de carboidratos, principalmente depois das 18 hs (sinceramente, ainda não descobri como chegaram a este horário...).

Desde que o Dr. Athinks criou sua dieta, sem carboidratos, permitindo um consumo elevado de proteínas e gorduras saturadas (aquelas de origem majoritariamente animal), com resultados rápidos na redução de peso, os carboidratos passaram a ser os "vilões" da alimentação. Afinal, se algo tão simples deu resultado, por que ninguém revelou isso antes?

Os carboidratos são um grupo: amido (milho, arroz, farinha de trigo, batata, mandioca, mandioquinha, cará, inhame), glicogênio (forma de glicose armazenada nos músculos e fígado), sacarose (açúcar), frutose (frutas), lactose (leite), que são digeridas e absorvidas na sua menor forma: glicose, maltose e galactose. E, no processo metabólico, serão convertidos sem glicose. Formam a base da pirâmide alimentar, desenvolvida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em 1992.

E para que uma base serve? Para criar uma sustentação!

Essa "sustentação" dos carboidratos são a energia (calorias) fornecida por eles, para desenvolvermos nossas atividades de rotina e exercícios, manter nosso corpo em funcionamento, mesmo em descanso ou dormindo (seu coração pulsa, seu pulmão capta o ar, os rins filtram o sangue...). A gordura também tem essa função, mas a produção dessa energia para utilização é mais demorada.

Quando consumimos menos energia que o necessário, o que ocorre?

Lembra quando a mãe ou avó dizia: "saco vazio não para em pé" ? É a mais pura verdade!

Começamos a nos sentirmos cansados, desanimados, sonolentos, temos tontura, dor de cabeça, visão embaralhada... São sinais que seu corpo está tentando trabalhar em um ritmo menor, para gastar menos energia, já que o alimento que o fornece está chegando em quantidade menor do que o necessário.

Comparando com um carro: se temos o tanque cheio de combustível, podemos locomover por mais tempo e mais despreocupados. Porém, quando a luz do sinal de "reserva" se acende, temos duas opções: voltar a encher o tanque, ou controlar velocidade e quilometragem, para não parar antes do ponto final.

E, voltando a questão de consumir ou não carboidratos após às 18 hs... Se for um período de descanso, de ficar no sofá só assistindo tv, é adequado DIMINUIR a quantidade de carboidratos, mas não ABOLIR. Afinal, o combustível tem que dar conta de manter o corpo trabalhando até a próxima refeição.

Mas, no caso de pessoas que trabalham durante o período da noite / madrugada, ou fazem atividade física, é preciso fazer a adaptação das quantidades para esse gasto energético.

Além disso, mais uma informação: a glicose é o único nutriente que alimenta o cérebro, como fonte de energia!

Já conheceu alguém fazendo uma dieta restrita em carboidratos e ela se mostrou irritada, desconcentrada, deprimida?

Ou seja, sem glicose, nem pensamos direito!

E mal falei das QUANTIDADES, ainda tenho que falar da QUALIDADE dos diferentes carboidratos.

Pelo visto, teremos mais posts sobre esse assunto...



domingo, 21 de março de 2010

Low Carb?

Um dos grandes questionamentos que escuto em consultório é: não janto para não engordar; está correto?

Resposta curta e grossa: NÃO!

O principal pensamento da população, "importado" dos E.U.A. (onde a dieta é conhecida como "low carb", ou de baixa quantidade de carboidratos), é de não consumir carboidratos após às 18 hs., por que este nutriente causaria obesidade.

Primeiro, devemos esclarecer que o carboidrato é o maior grupo presente em nossa alimentação: arroz, batata, mandioca, mandioquinha, cará, inhame, trigo, milho, e todos os produtos e subprodutos preparados com esses alimentos. A recomendação pela FAO/OMS* é o consumo entre 50 à 60% das energias diárias, de 6 a 11 porções/dia. Só por isso, se percebe como é importante a sua presença nas refeições.

O que acontece é que podemos engordar com consumo de carboidratos em qualquer horário do dia. Isso depende de duas condições: quantidade e qualidade.

A quantidade se refere à necessidade diária do indivíduo, calculada através dos hábitos de vida e alimentares, e porcionada entre as refeições do dia, pelo profissional nutricionista.

- Se a quantidade ficar muito acima, e o organismo não for utilizar essa energia prontamente, o metabolismo se programa para guardar o excesso na forma de gordura, que é uma energia "concentrada". Alguns indivíduos, consumindo muito carboidrato em uma refeição, pode ter uma elevação dos triglicérides, um tipo de gordura que pode causar problemas cardiovasculares e pancreatite.
- Se a quantidade ficar abaixo, os sintomas são fraqueza, dor de cabeça, falta de concentação, irritação, desânimo, depressão... Confesse, sua amiga que faz essa dieta não fica assim? É porque a glicose, o "produto" final dos carboidratos, é a única fonte de energia que consegue alimentar o cérebro! Ou seja, podemos ter o estoque de gordura que for, que será útil para os músculos, para os outros órgãos, para a atividade física... mas não para atividades cerebrais!

Voltando ao consumo de carboidratos após às 18 hs... Na verdade, a maioria da população tem uma diminuição da atividade a partir deste horário. Porém, também existem trabalhadores que exercem funções durante toda à noite! O que é importante é a adaptação das quantidades para cada indivíduo, devido a sua rotina. E, mesmo aqueles que vão dormir logo após o jantar, um lembrete: o corpo continua trabalhando! O coração bate, você continua respirando, se virando à noite toda na cama...

Já a qualidade trás outros benefícios, se os carboidratos refinados forem substituídos pelos integrais. Isso porque eles ainda possuem vitaminas, minerais e fibras, que auxiliam no metabolismo regular, no emagrecimento e na prevenção de doenças crônicas, como cânceres e diabetes. Portanto, é simples a troca de pão francês por integral.

Nada de "ficar sem jantar", de abolir o pãozinho do café da manhã, demonizar a massa dos domingos... Os diferentes tipos de carboidratos devem estar presentes durante todas as refeições do dia. É uma questão de escolha e de moderação!

* FAO/OMS: Food and Agriculture Organization / Organização Mundial da Saúde, são grupos responsáveis por programas de desenvolvimento rural e nutrição, e de saúde, respectivamente, da Organização das Nações Unidas.